-
Back To Black
Well… It has been a long time since the last day I wrote here. So much thing happened since then. However, I stopped writing cause I was happy as I was busy. Right now, I am not happy nor busy. I am very confuse, actually, and, deff not happy. I know all relationships are complicated but I never thought how complicated it really is… I mean, two racional people having a relationship… Couldn’t be so hard, could ? It could be a lot harder than I thought, mainly if you and your love had such a distinte education. I know people are different and that’s the grace of the world, but, how different the person could be withou making me go away? I know i am not Mother Thereza or Nelson Mandela, but I am not Hitler also. I know, as a person, I have a lot to improve, but at the same time there’s a few things that I just can’t handle.. Like a selfish person, And I fear to death that the person I am with right now its more selfish than I can handle… I mean, only children get mad when someone stoles a little part of their food, right? Adults don’t do that… well, my bf does. Children when get mad are super rude with everyonde around them. Well, my bf does that too! How can I be with someone who acts like a child??????????? Well… What am I gonna do? I have no idea.
-
Hoje, eu entendo que o ódio é o sentimento mais próximo do amor. Odiava vocês, cada um em seu momento, sem nem saber o porquê. Hoje, eu entendo que talvez tenha sido preciso um sentimento forte logo de cara, e que como o amor não funciona assim, o meu inconsciente encontrou esse modo de me manter próximo a vocês.
Não demorou muito para eu começar a me apegar a vocês dois. Até tentava segurar o riso quando vocês falavam alguma bobagem, ou, então, era indiferente a assuntos que eu, obviamente, não queria ser indiferente. Porém, eu não consegui. Caí de amores por vocês dois como se já os conhecesse desde outras vidas e, provavelmente, já os conhecia.
Gostava das bebedeiras das noites para poder ter a coragem de dizer ‘’Bu, tenho um segredo para te contar”, “mozi, eu amo você”. Com o tempo, eu nem precisava mais ter coragem… Dia após dia, consegui demonstrar nitidamente meu carinho por vocês, seja falando, abraçando (ainda que tenha alguém que não goste). Desde então, só coisas maravilhosas me aconteceram perto de vocês. Cresci, amadureci, me diverti, e fiz coisas que até hoje são inacreditáveis, graças a vocês.
Fizemos xixi por toda Porto Alegre e marcamos território até mesmo fora do estado. Passamos horas e mais horas dentro do carro escutando os funks mais bagaceiros e rindo horrores. Bebemos, bebemos, mas bebemos muito. Vi bubu conversar com Jesus e o Mozi encarnar a Cristiane Torloni. Passamos noites no sereno na paragem, tardes no Press e 24 hrs folgando em todas as pessoas.
Não tenho nem como falar tudo o que fizemos, até porque não lembro de muita coisa, mas sei que se hoje sinto dor de tanta saudade é porque valeu muito a pena. Poderíamos, hoje, cada um ir para um lado do planeta e, ainda assim, estaria perto de vocês. Isso porque vocês deixaram um pouquinho de si comigo, e eu sei vocês também carregam um pouco de mim. Seja no coração, na lembrança…
Ainda não me adaptei a essa nova fase da minha vida, acho que vocês já perceberam que eu ainda não superei esse problema, não é mesmo. Mas mudanças são inevitáveis e eu sei que coisas maravilhosas acontecem com pessoas incríveis, no caso, nós. Sei que vou viver muita coisas inesquecíveis, e que daqui a 50 anos vou sentir a dor da saudade novamente.
Não sei porquê me deu vontade de escrever isso, mas precisava (tentar) expressar como é grande o meu amor por vocês.
-
…………..
Escrever aleatoriamente é a melhor coisa do mundo… sei lá, escrever sobre qualquer coisa e não escrever nada…
Não cuidar a função sintática, morfológica, vírgulas, coesão… é tão bom…
Só grandes cronistas, autores, ou pensadores que conseguem encontrar a inspiração e fazer um texto com um objetivo.
Eu até conseguiria… mas nem sei se quero, ou não quero, ou quero…
Se resolvesse achar um assunto, falaria o de sempre… Que sou de titânio… que essa confusão mental é passageira…
Ou essa confusão mental é perpétua….. Talvez eu seja uma confusão ambulante…. Para eu ganhar a mobilidade que uma
sagitariana nata merece…
É bom ser assim… mas como eu sinto falta de paz.
Durante todo esse ano, só senti uma sensação de paz plena uma única vez. Eu estava na praia longe de todos…
10 dias sem sequer ligar o telefone…. televisão…. notebook. Passei as férias tirando fotos de coisas que me inspiravam.
Era um prédio antigo caindo aos pedaços… ou um prédio moderno, espelhado de fora a fora.
Fiquei vendo as pessoas voando como pássaros … Cada vez que eu entrava na água, suplicava para mim mesma deixar
todos os sentimentos ruins lá.
Lembro que uma única vez eu liguei o celular, e entrei no twitter… precisava, com urgência, comentar o quanto eu queria
um morango com chocolate, mas às 2am jamais encontraria algo aberto. Cinco minutos depois, meu celular não parava de apitar…
meu comentário tinha interrompido uma briga…. e todo mundo começou a rir, ao invés de brigar….
Eu quero ter os comentários que interrompam brigas, e não que criem.
Eu quero ter vontade de comer morango com chocolate, não vontade de paz.
Eu quero estar alienada a esse mundo de stress e confusão que eu, com certeza, não pertenço.
Cadê o mar que vai limpar esses sentimentos ruins de mim? Essa raiva imensa e repentina por algo, alguns…
Cadê as pessoas que voaram longe para me lembrar que somos livres dentro desse mundo escravo?
-
Destruindo o passado
Em diversas cidades do Rio Grande do Sul há prédios antigos, museus, monumentos, ou ruínas que contam a história do nosso povo. A preservação dos mesmos, portanto, é essencial. Contudo, algumas pessoas não compreendem que ao desvalorizar esses locais estão desvalorizando sua própria cultura.
A falta de conscientização de que são os patrimônios históricos e culturais que constroem e mantem viva a nossa identidade pode ser apontada como um fator para as famosas pichações ocorrerem. Ainda que as depredações sejam feitas por poucas pessoas, a sociedade como um todo desdenha esses locais, facilitando e propagando a sua desvalorização. Essas atitudes causam prejuízo a todos os cidadãos, em vista de que somente a prefeitura de Porto Alegre destina um milhão de reais, dos impostos arrecadados, para limpar a cidade.
Além disso, a falta de fiscalização e punição é um incentivo para os depredadores continuarem agindo. A lei que condena qualquer tipo de espoliação a bens públicos ou privados não é eficaz, uma vez que raramente alguém é preso por cometer esse crime. A polícia não consegue estar presente em todos os locais onde os vândalos agem, e sem um boletim de ocorrência que deveria ser feito pelos cidadãos, a situação se torna mais difícil de ser combatida.
Portanto, para solucionar a depredação dos nossos patrimônios históricos devemos exercer a nossa cidadania, denunciando as atitudes vândalas. A escola, por sua vez, deve auxiliar o estudante a criar vínculos com o passado, e o governo deve utilizar todos os recursos disponíveis para punir os criminosos. Desse modo, estaremos preservando a nós mesmos.
-
ENEM 2011
Virtualizando a Cidadania
A sociedade vive em busca de novos meios de comunicação a fim de aproximar as relações interpessoais. Um dos fenômenos do século XXI são as redes sociais, onde a linha entre o espaço público e privado é tênue, podendo ocasionar em crimes que violentam os direitos do ser humano, na mesma medida em que pode ajudar o exercício da cidadania.
A magnitude da internet é assombrosa. Uma vez que uma notícia, ou foto é colocada em qualquer site, dificilmente poderá ser retirada, permitindo que pessoas do mundo inteiro acessem tal documento. Por esse motivo, há um crescente número de crimes virtuais. Indivíduos se prevalecem da falta de segurança online, e invadem o espaço alheio com o objetivo de degradar a imagem de determinada pessoa. A exposição de fotos pessoais, ou xingamentos realizados através de pseudônimos, são exemplos do desrespeito ao espaço do próximo.
No entanto, esse mesmo meio que facilita novos crimes também pode ajudar pessoas que estão oprimidas a solucionarem seus problemas. A internet provoca o encontro de ideias, pensamentos, culturas e ideologias, permitindo que haja um encontro de forças para lidar com situações complicadas, sejam elas quais forem. Recentemente, vimos um marco na história da humanidade quando uma rede social teve papel fundamental na história do Egito quando os jovens, através do Twitter, organizaram-se e tomaram as ruas do país, exigindo o fim da ditadura e a instauração da democracia.
Portanto, em vista de que as redes sociais têm seus benefícios e malefícios, é preciso que as escolas, como formadoras de indivíduos, incluam em sua grade curricular meios para utilizar a internet de maneira positiva, incentivando o senso critico dos usuários. Deve haver também a fiscalização e punição dos crimes onlines, e dessa maneira estaremos protegidos de qualquer consequência negativa do uso desses instrumentos.
-
O desafio de se conviver com a diferença - ENEM 2007
A sociedade é o resultado da soma de diversas culturas, opiniões e ideologias. Diariamente, enfrentamos situações que evidenciam as diferenças entre um individuo e outro, colocando a prova a nossa capacidade de conviver com o que, na nossa concepção, é diferente.
É um instinto do ser humano evitar o que é desconhecido, a fim de preservar sua própria vida. Muitas vezes, os nossos conceitos sobre o mundo têm raízes profundas, sendo dolorosa a mudança dos mesmos. Por esse motivo, um grande desafio para todos é lidar com alguém cujo pensamento é oposto ao seu, por exemplo. É difícil reconhecer que há ideias tão boas quanto as suas, ou tentar ver os problemas de outra maneira.
No entanto, é essencial conviver com as diferenças, uma vez que são elas que ocasionam o progresso social e a evolução pessoal. Quando nos permitimos ver a riqueza que há nas culturas existentes no nosso planeta, ganhamos a chance de ampliar nossos conhecimentos. Podemos agregar a nossa bagagem novos valores e experiências, tornando-nos versões melhores de nós mesmos.
Portanto, parafraseando Darwin, a diversidade é fruto da evolução. Dessa maneira, deve haver um esforço da parte de todos para não somente conviver com as diferenças, mas absorver todos os resultados positivos que a miscigenação dos seres humanos ocasiona.
-
BLÁ BLÁ BLÁ
Ser uma pessoa questionadora é ótimo. Foi isso que eu respondi ao meu irmão recentemente, e é por esse motivo que me questiono agora: estou certa em desconfiar da ingenuidade das pessoas?
Por muitas vezes as pessoas justificam suas atitudes por ingenuidade. PERDÃO, NÃO PENSEI NISSO QUANDO FIZ TAL COISA. SINTO MUITO, REALMENTE NÃO IMAGINEI QUE IRIA CAUSAR UMA SITUAÇÃO DESCONFORTÁVEL.
Talvez, por eu ser uma pessoa absurdamente calculista e realista cujas atitudes são pensadas e repensadas, a fim de não haver uma consequência que eu não consiga lidar, não é fácil aceitar uma fala dessas.
Newton, há séculos atrás, já formulava uma das leis mais importantes da física que informa que toda e qualquer ação tem uma reação de igual força e sentido contrário. Não é preciso estudar física para saber disso.
Por isso, me recuso a acreditar que as pessoas, repetitivamente, tomam atitudes sem prever as consequências. Não se coloca uma lebre e um leão em uma mesma cela, sem esperar que a lebre seja, no mínimo, devorada.
De fato, admito que eu talvez veja maldade onde não tem, resultado de uma série de pessoas - amigas - que me decepcionaram e utilizavam a mesma desculpa. Todos usam a mesma desculpa. A mesma desculpa que comigo não funciona mais.
-
IT HAD TO BE YOU
É muito difícil escrever sobre alguém, ainda que eu saiba que essa pessoa jamais vá ler o que eu estou escrevendo no presente momento. No fundo, há sempre um pequeno medo de que os pensamentos colocados no papel sejam furtados pelo o outro, nos deixando tão vulneráveis, sem qualquer casca. No entanto, eu conseguirei, e sobre você escreverei.
Talvez eu fale sobre o modo que nós nos conhecemos e que pouco me lembro. Podia falar também sobre a ironia de tu teres vivido na casa da minha família e eu jamais ter te visto… Não que alguma coisa pudesse acontecer pelo momento em que nos encontrávamos e pela mais notável ainda diferença de idade. E
u podia falar também sobre a adrenalina que estava em todo o meu corpo logo após eu desligar o telefone no carnaval. Sobre o tédio que eu senti em pensar que tu não irias encostar um dedo sequer em mim. Tédio que foi substituído depois por um sentimento de dever cumprido, já que tinha conseguido riscar um nome da minha lista.
Não acho que tu gostarias de saber o meu sentimento de indiferença nas inúmeras vezes que eu saí contigo. Não que não foram momentos bons… Porque foram ótimos. Mas eu estava dos pés a cabeça decida que eu não iria me envolver com nada e nem ninguém nesse ano que seria apenas meu.
Mas sei que gostarias de saber que aos poucos isso foi se esvaindo. Que, hoje, olhando para traz, vejo que a indiferença que eu sentia se contrapunha com o sorriso bem babaca que surgia quando tu vinhas falar comigo. Obviamente que eu explicava a mim mesma que isso era apenas porque eu estava conseguindo manter o interesse de um cara mais velho sem fazer nada. Como se fosse um jogo em que eu estava sempre vencendo.
Talvez o teu ego aumente quando eu falar que eu senti raiva quando eu te vi com outra pessoa na festa do meu primo. Mas, dessa vez, preciso dizer que a raiva maior era porque o meu ego foi ferido. Com toda certeza poucas horas depois foi levantando, porque a cara que tu e todo mundo me olhou naquela noite foi impagável, pois (eis meu momento de demonstra a minha autoestima em um texto para ti) estava lindíssima.
A partir daí confirmei mais ainda o quanto precisava ser absurdamente racional, e não dar um passo em falso, calculando minuciosamente todas as possíveis consequências das minhas palavras, pontos e vírgulas. Não ia me deixar vulnerável ao ponto de me sentir mal por te ver com alguém ou por outros milhões de motivos que não vem ao caso.
Preciso dizer que para mim missão dada é missão cumprida e eu cumpri. Por mais que hoje tu digas que jamais eu era tua segunda opção, e sim que eu fui o motivo de não haverem outras opções, tu sabes, no fundo que a situação não era assim. Tu estavas envolvido não com uma, mas com duas pessoas.
Foi meio dolorido ver alguém te cobrando porque tu tinha ficado comigo, e talvez um pouco mais dolorido quando eu consegui ler tu dizendo que a culpa não tinha sido tua, pois eu tinha te agarrado. Doeu-me porque não era uma verdade, mas que tu querias que fosses para manter outra pessoa próxima de ti. Sei que agora tu não deves estar gostando de ler isso, e por esse motivo não vou mencionar outras coisas eu escutei , vi, li e soube.
Só que como desde o principio me convenci de que tudo era um grande jogo, onde perder não era uma hipótese, ignorei tudo. Segui como se tu fosse alguém indiferente, apenas para curar um pouquinho a minha carência. Logo quando eu tinha conseguido internalizar essa ideia, tu vens e acaba com tudo. Demorei um dia inteiro para tentar lembrar e assimilar o que tu tinhas me dito em uma festa, pois eu realmente achei que as tuas palavras eram sinceras, e hoje sei que eram. E como tudo era um jogo onde eu não iria perder para outra pessoa, eu continuei.
Mas, amor, podes ter certeza que a vontade que eu tinha era de nunca mais te ver depois do aniversário da Júlia. Na aquela mesma semana, tinha total convicção de que eu não queria mais nada, pois, cedo ou tarde, eu ia me machucar feio, e se eu tinha como evitar, por que não? Talvez agora tu estejas já cansado de ler, mas é que eu realmente estou deixando fluir tudo o que está na minha mente. Sei que muitas pessoas não gostam da Bruna, mas te digo que ela foi um fator determinante para eu seguir adiante e chegarmos onde estamos.
E onde estamos é tão bom… E talvez esse seja o principal motivo de eu estar escrevendo. A vontade de expressar para alguém, para ti, para esse papel, o quanto eu me sinto feliz.
Porque é o teu carinho no meu cabelo, ou a massagem durante o jogo do grêmio. É o jeito que tu me chama de “fedelha”, o jeito que tu tenta me dar sustos e me joga na cama. É o jeito que tu dorme abraçado comigo, mesmo com o teu braço formigando.
Porque é o jeito que tu escuta tudo o que eu tenho para falar, o que não é pouco. Porque tu tentas compreender até o último minuto as minhas razões, e quando tentas contradize-las faz com tanto carinho que nem dói.
Porque é quando tu me dás bom dia no celular e pede para eu ir para academia ou estudar. Porque tu não ficas brabo comigo quando não posso fazer algo por causa do meu estudo, e melhor ainda: tu me cobras, pois sabe que é o melhor pra mim. Porque é quando tu me mandas uma música, um beijo, um eu te amo. Quando tu te dispões a me explicar algo, por mais bobo que seja.
Porque é o jeito que tu dizes que tu vai estar aqui pra mim, que irá comemorar as minhas vitórias como se fossem tuas. Porque é quando tu fazes a “boquinha” para mim.
Porque é por esses porquês e outros tantos que eu te amo.
-
Saudade
Saudade de quando dormia no sofá e acordava na cama.
Saudade de acordar às 10am para ver desenhos tomando nescau na mamadeira. Saudade de passar tardes brincando com barbies, sem enjoar.
Saudade de procurar as cestas de chocolates na páscoa.
Saudade de me vestir de prenda, de cinderela, de anjo, de branca de neve. Saudade de fazer show para a família dançando É o Tchan.
Saudade de brincar que o jardim da minha avó era um laboratório gigante e só meu. Saudade de achar que eu era uma das panteras e sair por aí com armas de brinquedo penduradas na perna.
Saudade de passar o dia vendo Disney Channel, comendo baconzitos e frukito. Saudade de achar que uma piscina de plástico era imensa, e depois de passar a tarde brincando na água, saia para comer pãozinho com margarina da vó.
Saudade de andar de motoca na pracinha, pedindo para o meu pai abastecer algumas moedinhas de gasolina.
Saudade de poder ir à praia só com a parte de baixo do biquíni.
Saudade de alguém me levar no colo até o “fundão” do mar, e achar isso um máximo.
Saudade de pedir no Mc Donald’s um Mc Lanche Feliz só pelo brinquedinho. Saudade de esperar os meus pais das compras para depois procurar o meu kinder ovo.
Saudade de plantar feijãozinho no algodão, e fazer apresentação do dia dos pais, das mães, dos avós…
Saudade de quando eu ficava ansiosa para ver o papai-noel trazer mais barbies para mim.
Saudade de quando meus pés não alcançavam o chão.
Saudade de dançar em cima dos pés do meu pai.
Saudade de assistir sai de baixo no colinho.
Saudade de não ter responsabilidades.
Saudade de ir para o porão para conversar com o meu anjinho Serafim.
Saudade dos trabalhos simples da pré-escola.
Saudade de levar lanche de casa para o recreio.
Saudade de ir buscar o boletim com os meus pais.
Saudade de não ter preocupações.
Saudade de me divertir com pouco.
Saudade de ter todo o tempo do mundo.
Saudade de quando eu queria crescer logo.
Saudade de ser o bebê da família.
Saudade de ser pequena.
Saudade de ser cuidada e protegida.
Saudade de ir para o sítio, subir nas árvores, colher pitanga e tomar banho no rio. Saudade de morrer de medo de subir no cavalo, mas querer ir mesmo assim. Saudade de ir comprar os materiais escolares rosa, todos os anos.
Saudade de ganhar livros de colorir gigantes.
Saudade de ir para a Infraero, e fazer cama com as cadeiras.
Saudade de pular corda, pular amarelinha e dançar com o bambolê.
Saudade de ir às festinhas da quarta série.
Saudade da formatura da oitava série.
Saudade de trocar de colégio.
Saudade de dormir na van.
Saudade de matar aula no último andar do colégio.
Saudade de matar a educação física e tirar A.
Saudade de escolher as flores, o vestido, as luzes.
Saudade da valsa.
Saudade do chimarrão no quintal, do bolo no forno e da dinda do meu lado. Saudade da festa das primas, das caipirinhas com adoçante ou do champanhe quente.
Saudade das ala minutas do pirão, dos café na padre chagas, e do Peugeot. Saudade da ilha do mel.
Saudade do prato feito, de trocar o dia pela noite.
Saudade do banho gelado para curar a bebedeira.
Saudade da buzina, da benzina.
Saudade de correr pela paragem sem rumo, pois faltava tanto tempo para crescer.Saudade cruel, que é um mal necessário: me traz a felicidade de saber que todo o passado valeu a pena, mas me traz uma dor descomunal de que não terei nada de volta.
-
As desistências das linhas
E você chega a um restaurante lotado. As mesas que não estão reservadas, já estão ocupadas. No entanto, enquanto você reclama o quanto gostaria de poder jantar naquele lugar maravilhoso, a recepcionista atende uma ligação: uma desistência. Pronto, recolha suas lágrimas e vá sentar-se à mesa que você desejou.
Sintomas efusivos de uma doença desconhecida te assolam. Logo na semana em que você tinha uma auditoria, precisava ir à escola do seu filho e, ainda, ir ao um jantar beneficente. Por isso, não há nenhuma hesitação em ligar para o consultório do médico que te acompanhou durante toda vida. É uma emergência, você diz. A secretária é curta e grossa: Sinto muito, mas consulta só para semana que vem. Horas mais tarde, você atende a ligação da mesma secretária que falara antes, dizendo que ocorreu uma desistência. Você conseguiu o que desejava.
Posso citar tantas e tantas situações como essa. É tão comum, mas eu jamais havia pensado em quantas coisas conseguimos devido à desistência dos outros. Podíamos até ter nos esforçado muito para conseguir algo, mas, por vezes, somente com a desistência de alguém que conseguimos o que almejamos.
Talvez a vida seja como um daqueles passatempos de crianças: ache a linha que vá de A à B. Mas, ao contrário do papel, essas linhas se encontram e desencontram. Umas ficam pesadas demais, e não vale mais a pena tentarmos utilizar ela para chegar do outro lado. Outras… nossa!! São tão inconstantes que por muitas vezes, já achávamos que havia ponto C, D, E. Outras linhas são equilibradas, e cumprem o que prometem, mas, por algum motivo, não te agradam mais.
Deixando de lado a parte racional, dói saber que você é a linha de alguém porque as outras não souberam se comportar. Lutaram pelas outras, insistiram, tentaram, mas elas apenas não souberam como se comportar. Os seus comportamentos resultaram em uma desistência. Por isso eu penso que nós somos o resultado das nossas escolhas, mas, certamente, sofremos influência das desistências alheias. Os caminhos que nos levam até o momento presente, foram caminhados por nós, mas suas curvas e desvios foram causados pelos outros.
E ainda que na constituição da linha haja materiais resistentes, no fundo, você é essencialmente um fiozinho frágil, que por pensamentos soltos sobre situações passadas, fizeram você se sentir a última de todas as linhas, ao mesmo tempo em que você é grata a desistência das outras.